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Hackers & Cultura

Sendo um Hacker nos anos 80 (conforme visto na TV e na vida real)

Ah os anos 80. Além de ser uma época recheada de luzes de neon em filmes futuristas e visionários, temos também aquelas cenas em que aparecem hackers (ou não) realizando os mais mirabolantes ataques, seja “bypassando” um sistema que exige senha ou alterando a quantidade de faltas no sistema da escola…

O blog “Found Item Clothing” montou um compilado de alguns dos filmes mais famosos dos anos 80 envolvendo cenas de hacking (e alguns deles curiosamente podemos ver o ator Matthew Broderick atuando) de filmes como Superman 3, Academia de Gênios (Real Genius), Jogos de Guerra (WarGames), Os Espiões Que Entraram Numa Fria (Spies Like Us), pra citar alguns.

Você já deve ter percebido que temos uma queda pelos anos 80 e sempre estamos interessados em compartilhar com você temas que sejam interessantes. Essa época foi a década em que vimos a ascensão do hacking de computador, mas é certo dizer que naquela época os hacks ainda eram cometidos por brincalhões relativamente inofensivos que não tinham a intenção de cometer crimes reais. Ainda não.

Os Filmes

Confira alguns dos filmes mais famosos dos anos 80 que possuem alguma cena interessante de hacking:

Jogos de Guerra

Jogos de Guerra (War Games)
Jogos de Guerra (WarGames)

O primeiro filme que realmente colocou os holofotes nos hackers, mas de forma negativa, foi Jogos de Guerra (WarGames), lançado nos cinemas em junho de 1983. O ator Matthew Broderick interpretava um hacker adolescente que acessou acidentalmente o mainframe do NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte).

A diferença nesse caso é que a realidade foi confundida com um jogo e o supercomputador acaba por iniciar um processo que pode dar início a Terceira Guerra Mundial. Mas nesse caso, depende se você acredita ou não que os hackers têm a capacidade de levar o mundo a uma nova guerra ao lançar um míssil balístico intercontinental (ICBM).

Mas apesar de tudo, isso não é uma coisa tão absurda assim. Muito antes do filme Jogos de Guerra entrar em pré-produção, um grupo de hackers chamado Warelords (fundado por “Black Bart”, um hacker residente em St Louis, Missouri) composto por vários hackers adolescentes, dentre eles phreakers e coders no estilo back hat, haviam se infiltrado com sucesso em corporações e instituições, como a Casa Branca, Bell Labs e grandes provedores corporativos de sistemas de correio de voz.

Efeitos colaterais

É provável que WarGames seja o primeiro filme a alcançar uma audiência o suficiente para que as pessoas comecem a entender o fenômeno do hacking, bem como algumas das questões problemáticas e perigos em relação a ele. Logo, há um crescente sentimento de paranóia em massa do que os hackers são capazes de fazer.

O congresso convocou suas primeiras audiências após os políticos terem voltado do recesso de verão, e a Câmara dos Representantes dos EUA iniciou audiências sobre hackers e segurança de computadores, iniciando assim uma campanha contra hackers que continua até hoje.

Nada menos que seis projetos de lei anti-hacking foram introduzidos após o lançamento do filme. Após mais algumas invasões em computadores governamentais e corporativos, o Congresso aprovou a Lei de Fraude e Abudo de Computadores de 1984, que torna crime invadir sistemas de computadores, além de dar jurisdição para o Serviço Secreto dos EUA em relação a fraude de computadores. A lei no entanto, não abrange apenas adolescentes

Os Hackers da vida real

Muitos dos filmes dos anos 80 refletiam a ingenuidade do ser humano sobre o perigos de um hacking, mas a grande verdade é que haviam coisas realmente sérias ocorrendo nos bastidores e que ainda não estavam entrando no cinema.

Os anos 80 realmente começou a se tornar a década em que começamos a ouvir falar de hacking (não que antes não ocorresse, mas o hacking desse tipo era confinado nas universidades), mais precisamente em 1983. Foi quando o IBM-PC, juntamente com o MS-DOS da Microsoft, começou a se tornar amplamente disponível, e nos próximos dois anos outros sistemas operacionais de computadores – exceto o MS-DOS e aqueles oferecidos pela Apple – começaram a ser superados e substituídos. Logo os hackers teriam acesso a seus próprios computadores pessoais e não precisariam mais entrar nos laboratórios de informática das universidades para fazer o trabalho “sujo” tarde da noite.

Eric Corner (Emmanuel Goldstein)

Dentro de um ano, seriam lançadas revistas de hacking, como a 2600: The Hacker Quarterly. Onde seu fundador (Eric Corner) utilizou intencionalmente o apelido de “Emmanuel Goldstein”, como uma alusão ao personagem de mesmo nome retratado no romance distópico “1984”, de George Orwell, como líder de um grupo de resistência chamado “The Brotherhood”. Goldstein é o apelido perfeito para alguém que é visto como o principal inimigo do estado. No romance, “de acordo com o partido, ele é visto e ouvido apenas em uma tela, mas isso também pode ser realmente uma invenção do Ministério da Verdade.

Enquanto isso, os grupos de hackers eram formados e crescendo ao ponto de existirem vários artigos falando sobre eles. Alguém apelidando a si mesmo de Lex Luthor (esse nome foi escolhido após a pessoa ter assistido um desenho animado em uma manhã de sábado) funda um grupo chamado “Legion of Doom”, que logo mais teve a reputação de de atrair “o melhor dos melhores” (um de seus membros, Phiber Optik, acabaria se rebelando e com grupo e formaria em seguida o seu, o Masters of Deception).

Eis então que um cara chamado Wiiliam Gibson lança em 1984 seu primeiro romance cyberpunk chamado Neuromancer (escrito em uma máquina de datilografar), dando origens ao termo cyberpunk, bem como outros jargões de hackers, como matriz, “simstim” e “ICE” (Intrusion Countermeasures Electronics / Contramedidas de Intrusões Eletrônicas), mais conhecido como Firewall.

 Nova capa para a edição brasileira de Neuromancer, lançada pela editora Aleph.
Nova capa para a edição brasileira de Neuromancer, lançada pela editora Aleph.

Pois bem, a comunidade de hackers continua crescendo, compartilhando informações entre si sobre sistemas operacionais, protocolos de comunicação, tecnologias de rede e telefonia, bem como divulgando informações para a comunidade underground espalhada pelo mundo (pois mais pouco que fosse).

A grande maioria dos computadores da época só podiam ser acessados remotamente por hackers que obtinham informações sobre suas linhas telefônicas individuais, motivo pelo qual um hacker típico dos anos 80 valorizava muito o conhecimento sobre o número de telefone do computador que queria acessar.

Além do número de telefone, os caras começaram a trocar informações por meio dos manuais de sistemas de computadores, que não eram amplamente divulgados e em muitas casos eram mantidos em segredo. Normalmente esses documentos eram encontrados nas lixeiras, por meio de uma técnica chamada de “Dumpster diving” ou “emprestados” dos escritórios pelos hackers, que percebiam que as empresas eram “meio” desleixadas com relação a segurança das informações.

Dumpster diving, vasculhando no lixo em busca de informações essenciais para um futuro hacking.
Dumpster diving, vasculhando no lixo em busca de informações essenciais para um futuro hacking.

Poucos anos mais tarde, o Serviço Secreto gravou o evento SummerCon de 1988, na tentativa de descobrir o que os hackers sabiam na época, mas eles sempre pareciam estar um passo à frente do governo.

Caso se interesse, veja essa e-zine do phrack, onde os caras fizeram a cobertura sobre o que ocorreu no evento e algumas situações interessantes.

Naquele mesmo ano, Robert Tappan Morris Jr, filho de um cientista-chefe da NSA e estudante de pós-graduação da Cornell University, lança um worm na ARPAnet (precursora da Internet), que criava uma cópia de si mesmo e se auto-enviava para outros computadores que estivesse conectados.

Robert Morris Jr (em 1988 e agora)

O worm se espalhou para mais de 6 mil computadores, sobrecarregando os sistemas do governo e da universidade. Morris não tinha idéia do que acabou de criar, ainda mais por ter compartilhado suas informações com outros hackers, o que poderia ter criado um caos em massa. Morris foi preso, expulso da universidade, condenado a três anos de liberdade condicional e multado em cerca de 10 mil dólares.

A história sobre o hacking em geral é muito maior do que isso, além de existirem vários hackers como Kevin Mitnick e outros. Foi simplesmente dado uma pincelada nesse cenário e na influência dos filmes ao hacking dos anos 80. Recomendo você a assistir documentário “A Origem Dos Hackers”.

Documentário – A Origem dos Hackers

Hack The Planet!

Fonte:

https://www.founditemclothing.com/blogs/it-goes-to-11/80s-computer-hacking-a-supercut

http://nightflight.com/80s-computer-hacking-a-supercut/

http://phrack.org/issues/20/12.html

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