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Malware, Hacking, engenharia social, assassinato e outras atividades, estão presentes nesta edição. O personagem principal, Case, precisou se esconder em um local de São Paulo para esperar as coisas esfriarem um pouco, após os últimos acontecimentos das edições anteriores (clique aqui para ver). Mas alguém inesperado aparece no “esconderijo” de Case. Esta pessoa se junta ao grupo e será de grande ajuda.

Sem mais delongas… Hack the Planet!

Malware e hacking é na edição #09 do 'Diário de um Hacker'

Malware e hacking é na edição #09 do ‘Diário de um Hacker’

Sábado, 20 de maio de 2017.

00:10

São Paulo, a cidade que nunca dorme. Acontece neste final de semana na cidade a Virada Cultural, um evento com duração de 24 horas que proporciona muitas atrações culturais para pessoas de todas as idades, etc.

Muitos estão nas ruas festejando, comemorando algo, sorrindo, bebendo, comendo, beijando, conversando sobre os mais variados assuntos possíveis.

Malware e hacking é na edição #09 do 'Diário de um Hacker'Na mesma noite, em um apartamento de 40 m2, localizado no 2º andar, com a tinta da parede descascada dando lugar a pintura original, uma única luz ilumina o local. Sentado em frente a um notebook, usando óculos retrô de armação preta, Case olha atentamente para a tela, enquanto bebe um pouco de refrigerante e come um pedaço de pizza que acabou de chegar. O motoboy achou estranha a atitude de um cliente que pediu que a pizza fosse deixada em frente a um portão, na calçada mesmo. Durante o pedido, Case orientou também que o dinheiro estaria localizado em um determinado compartimento do portão. Todo cuidado é pouco.

Algumas coisas mudaram desde os últimos acontecimentos. Na intenção de evitar maiores problemas e não por tudo a perder, Case precisou se mudar para outro local, deixou de falar temporariamente com seu amigo Marcos e de frequentar os mesmos lugares. Mas nem por isso deixou de saber como estavam as coisas. Este pequeno apartamento na zona oeste parece ser bom e pode servir muito bem aos seus propósitos.

Não foi nada difícil conseguir utilizar a rede sem fio do vizinho para acessar a Internet. Seria muito arriscado para Case conseguir um sinal de Internet por meios normais, se é que você me entende, por isso precisou apelar para os meios não tradicionais.

Foguetes estouram lá fora, iluminando o rosto de Case a cada clarão.

Um sentimento de errado começa a brotar em seu peito, algo que ainda não sabe como explicar, mas que tem quase certeza de que algo não vai bem.

Uma mensagem aparece no visor de seu smartphone. “E aí cara, tudo bem? Olhe pela janela :-)”. É uma mensagem de Marcus.

Abrindo a cortina, crente de que não haveria ninguém lá fora e seria uma mera brincadeira, Case vê seu amigo Marcus, e uma pessoa ao lado dele, de estatura mediana, com o capuz cobrindo metade do rosto, encostada em um muro olhando para sua janela que fica de frente para a rua.

Mas quem será? — Pensa.

Apreensivo, continua olhando para a figura encostada no muro ao lado de Marcus.

“Vai nos deixar entrar? Precisamos conversar” — Lê no visor de seu smartphone.

Após descer as escadas do prédio (pois é, ele não possui elevador), Case para em frente a uma porta e abre-a em seguida. Marcus está com aquele sorriso no canto da boca, com cara de quem fez algo errado. A sombra da noite não permite que veja quem é a pessoa que está do lado de seu amigo.

Quando o capuz é baixado, a pessoa que Case vê faz com que fique boquiaberto.

É Léia, aquela garota que conheceu numa lanchonete. Agora ela está parada ali, olhando seriamente para ele.

— Estou sem entender nada Marcus. O que ela está fazendo aqui?

— Calma mano, deixe que ela fale.

— Já que estão aqui, arrumem algum lugar para se sentar.

Fora a cadeira em que Case estava sentado anteriormente, o único móvel restante era um sofá velho com vários livros e manuais espalhados. Como bom anfitrião que é, Case não faz nada e deixa que os dois se arrumem como quiserem.

— É um pouco difícil te explicar assim de cara, — continua Léia — mas vou direto ao ponto. Não sou nada do que você pensa, tenho algumas habilidades quando me sento em frente a um computador, trabalho naquela lanchonete porque foi o que encontrei no momento, e logo no início percebi que você era mais do que aparentava, era diferente dos outros. Quando cheguei em São Paulo, procurei emprego em grandes empresas, mas nenhuma me aceitou, creio que por conta do meu estilo de se vestir. Consegui trabalho em uma empresa mequetrefe de assistência técnica, mas quase surtei com o proprietário, então acabei caindo fora. Perambulando pela cidade, vi colado na porta de uma lanchonete, um aviso de que estavam precisando de uma garçonete, não pensei duas vezes e me candidatei.

Léia pausa para respirar um pouco e continua.

— Apareceu um cara na lanchonete. Ele pediu um café, e enquanto esperava o pedido, vi ele ligar um notebook e digitar freneticamente em uma tela de linha de comando, algo como o terminal de algum Linux. Quando entreguei o pedido, ele perguntou se eu vi alguém com as suas características. Falei que te vi uma única vez.

— Suponha que tenha sido você Marcus.

— Pois é Case. — Responde Marcus com aquele meio sorriso de que fez algo errado e gostaria de enficar a cara em qualquer buraco.

— Puxei conversa com ele para saber mais sobre você e o que fazia. Acabou me revelando que vocês fazem (ou faziam) parte de um grupo de hacktivistas, financiados por uma empresa anônima. No meio da conversa, lembrou de algo relacionado a um lugar para onde você iria quando as coisas ficassem pretas. Então implorei para que me trouxesse até aqui. Case, preciso de adrenalina, sou a favor da causa, quero realmente ajudar vocês, fazer a diferença, fazer parte de algo grande.

Case e Marcus ficam se encarando, ambos pensando se ela poderá ajudar.

— Léia. Fala Case. — Trabalhamos sozinhos. Fazíamos parte de um grupo, mas caímos fora, pois as coisas estavam ficando feias. Suspeitamos que alguém lá dentro estaria tramando algo, não sabemos muito, mas com certeza procuravam (e ainda procuram) alguém para levar a culpa por algo.

— Sem contar que ainda existem políticos envolvidos. Tenho minhas suspeitas quanto a isso. — Complementa Marcus.

Case suspira fundo.

— Léia, para que você faça parte de nosso grupo, precisará passar por um teste. Se vencer, estará dentro, caso contrário, não veremos mais você por aqui. Combinado?

— Combinadíssimo!

Um momento de silêncio paira entre os três.

— Léia, como está tarde, se quiser pode passar a noite aqui.

A garota fica com o rosto corado.

— Não se preocupe, irei me comportar.

Marcus se despede de Case e Léia. — Vocês dois se comportem hein? Me ligue para combinarmos algo!

O prédio de Case não possui portaria. Parece aquele típico prédio que vemos em séries e filmes americanos. Ao fechar aMalware e hacking é na edição #09 do 'Diário de um Hacker'
porta que dava para a rua, Case faz um gesto de cavalheiro à Leia dando licença para que ela siga pelas escadas. Chegando na porta do apartamento, Case se atrapalha com as chaves. Isso se deve ao fato de não ter experiente com mulheres e por nunca ter levado uma para o seu quarto.

— Pode entrar Léia. — Mais uma vez o lado cavalheiro de Case é posto em ação. — Quer comer algo? Tomar um café?

— Aceito um café!

— É das minhas hein? (Risos!)

Enquanto Case prepara o café em um fogãozinho de duas bocas, Léia senta-se no sofá e observa ao redor. Uma parede descascada dando lugar a pintura original, alguns pôsteres de filmes (alguns bem antigos) e um do filme “De Volta Para O Futuro” quase descolando, uma mesinha no canto da sala com o que parece ser um roteador em sua superfície, e um notebook preto localizado em outro sofá de apenas um lugar, com a tela entreaberta, iluminando o teclado. Seus dedos começam a coçar, doidos de vontade para entrar em contato com a teclas daquele notebook, mas se contém.

Case volta para sala e um cheiro de café inunda a sala.

— Resolvi trazer uma bolachas recheadas para acompanhar o café. — Diz Case.

— Hummm delícia!

Case coloca xícara de café no braço do sofá velho e as bolachas em um pires e Léia já está se deliciando com o seu café.

O notebook no outro sofá parece chamar Case, que se levanta rapidamente e pega o equipamento. De bolacha na boca, xícara em uma mão e o notebook em seu colo, Case resolve vasculhar aleatoriamente por algo na Internet.

Enquanto Case navega por diversos sites, Léia observa aquele cara ao seu lado. Algo nele chama sua atenção, um sentimento que há tempos não experimentava.

De olho em seu feed de notícias, Case segura o queixo para não cair.. Uma notícia sobre o assassinato de um cara, mas não era qualquer um. Alexandre de Souza, mais conhecido no meio Hacker como Cereal Killer. (WTF??)

— Como eles fizeram isso com o Cereal? Por que??? — Grita. — PQP! A coisa tá feia cassete!

— O que foi? — Pergunta Leia assustada.

Case vira o notebook para ela. — Olha aqui!

Com os lábios cerrados e olhar atento, Léia se depara com a foto de um cara estirado no chão sob uma possa de sangue. É uma cena de dar embrulho em seu estômago, enquanto Case permanece alheio à nova revelação.

— Será que isso é algum tipo de aviso? Deram fim logo no líder de um dos maiores grupos de cyberativistas brasileiros. Isso não pode ser coincidência. — Fala Case.

— Case, estou chegando agora, mas acho que você e o Marcus precisam tomar mais cuidado, nunca se sabe o que pode acontecer.

— Imagina Léia, nada vai nos acontecer.

— Quer mais café Léia? — Pergunta.

— Obrigado Case. Apesar de já ter comado, estou começando a ficar som sono, meus olhos estão um pouco mais pesados do que o normal..

— Sou movido a café Léia, vou até a cozinha fazer mais.

Enquanto a água não ferve, Case cruza os braços e encosta-se em um armário que parece ter ganho de sua avó. Mantêm seu olhar fixo na chama acesa de seu fogão de duas bocas, deixando seus pensamentos vagarem sem rumo. De repente vem à sua mente imagens de Cereal. Um corpo sem vida, estirado no chão, ensopado em sangue.

Como puderam fazer aquilo com o Cereal? É algum tipo de aviso? Ele fez alguma coisa que alguém não gostou? Com certeza… Cereal não deixava nada barato, botava a boca no trombone se preciso.

Primeiramente precisarei saber em quê Cereal estava trabalhando. O que ele descobriu? O lema de nossa comunidade é que a informação precisa ser livre e divulgada, seja qual ela for e doa a quem doer. Tanto o governo como empresas privadas possivelmente estavam de olho em suas ações. Provavelmente acessou alguma informação sigilosa e a divulgou. Seu maior erro foi não ter tomado as devidas precauções para não ser descoberto. E se ele quisesse ser descoberto?

Somos a base de uma sociedade controlada pelos poderosos. Temos obrigações mascaradas de direitos. Trabalhamos para sustentar um governo que não nos dá nada em troca (e se dá, é muito menos do que deveria), levantamos todo santo dia para trabalhar e vemos nosso dinheiro indo ralo abaixo, somos massacrados pelo governo quando reivindicamos nossos direitos, sem contar nos impostos… ah os impostos…

Case é acordado de seus devaneios pelo apito estridente da chaleira. Um cheiro de café invade o recinto, fazendo com que feche os olhos e sinta o puro cheiro da sagrada bebida.

Malware e hacking é na edição #09 do 'Diário de um Hacker'

Hummmmmmmmm… | Malware e hacking é na edição #09 do ‘Diário de um Hacker’

I am colorblind, coffee black and egg white… (Counting Crows)

Quando volta para a sala, encontra Léia encolhida no sofá, enrolada em um cobertor. Com a xícara cheia de café, cuidadosamente senta-se no chão e apoia um dos antebraços sob um joelho, na outra mão segura a xícara. Enquanto toma alguns goles, observa aquela misteriosa garota. Uma chuva torrencial começa a cair lá fora.

Daqui para frente as coisas ficarão pretas para os três jovens. Case, Marcus e Léia unirão forças para descobrir quem é o autor do assassinato de Cereal, ao mesmo tempo que precisam tomar cuidado para não serem as próximas vítimas.

Criando um pacote para o malware

Case precisa fazer algo a respeito do assassinato de Cereal. Não pode ficar parado esperando que algo mais ocorra com ele ou ainda com Léia e Marcus.

Ao abrir a sua mochila, descobre lá no fundo que existem vários pendrives. O que fazer? (Já adivinhou né?).

Sem pensar, de forma quase que automática, como quem pega a mesma condução todos os dias, Case insere o primeiro pendrive na porta USB de seu notebook. Na Kali Linux, procura pela ferramenta SET (Social-Engineer Toolkit).

SET | Malware e hacking é na edição #09 do ‘Diário de um Hacker’ | Fonte imagem: https://samsclass.info/123/proj10/p4-set-media.htm

Com esta ferramenta, Case pôde inserir um conhecido malware no pendrive, de forma que, quando inserido em uma máquina com Windows ou Linux, abra uma conexão reversa para um servidor de comando e controle que Case possui acesso.

Clique aqui para saber como bypassar os antivírus quando estiver colocando quiser disponibilizar um malware em um pendrive através do SET. (Não há garantia de que na prática o seu malware não seja detectado pelas ferramentas de segurança, use apenas para fins acadêmicos e não na rede sua empresa. O VirtualBox ou VMWare estão aí pra te ajudar)

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Case quando abre os olhos, sente um cheiro diferente no ar. O que será? Ovos mexidos? Ao varrer a sala com seu olhar, nota que Léia não está ali. Rapidamente levanta-se e vai até a cozinha. Ao chegar lá, encontra a hóspede preparando aquele café da manhã.

— Desculpe Case, tomei a liberdade de preparar um café da manhã para nós. Acordei com uma fome tremenda.

— Não precisava Léia, eu queria fazer algo, já que você é minha hóspede. — Os dois trocam sorrisos.

— Léia, me desculpe por não ter uma mesa decente tomarmos o café, mas posso te compensar com essa pequena mesa de centro.

— Case, não sou fresca, não ligo pra essas coisas, tomaria o café até de pé se fosse preciso.

Os dois sentam-se lado a lado de frente para a pequena mesa, enquanto bebericam aquele preciso líquido preto que tomamos todas as manhãs.

— Que delícia de ovo mexido! Fazia tempo que não comia algo tão bom assim! — Se delicia Case.

— Pelo menos alguma coisa tenho que fazer direito né?

— Léia, não seja tão modesta. Sei que você se sai muito bem quando está na frente de um teclado de computador.

Léia fica um pouco corada com o elogio, mas é algo que ela realmente gosta. Para muitos, a adrenalina é sinônimo de saltar de paraquedas, passear em uma montanha-russa, entre outras coisas radicais. Para ela basta uma tela preta com caracteres verdes e um bom desafio a ser vencido. Aliás, muita adrenalina virá pela frente, a convencional e a que pode ser sentida utilizando a tecnologia…

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Durante o domingo as coisas transcorreram normalmente. Case e Léia ficam em casa assistindo filmes no PopCorn Time e vasculhando algumas coisas na web aleatoriamente.

Preparando o terreno

Segunda-feira, 22/05/2017

Malware e hacking é na edição #09 do 'Diário de um Hacker'

Estação de Metrô Butantã | Malware e hacking é na edição #09 do ‘Diário de um Hacker’

Mais uma semana se inicia. Logo cedo já é possível ouvir aquela cacofonia comum na cidade de São Paulo. Na estação de metrô Butantã, na linha amarela, muitos se espremem na porta de um vagão para poderem entrar e seguir com suas vidas. No lado de fora, esperando o próximo comboio, um casal conversa discretamente.

— Leia, hoje daremos início à nossa “operação”. Precisamos descobrir quem mandou matar Cereal e também o que farão daqui em diante.

— Mas Case, por onde começaremos?

— Sabemos que o ser humano é bastante falho quando se trata de proteger informações confidenciais. A sua curiosidade é a sua ruína. Como ainda não temos certeza, somente suspeitas de quem mandou matar Cereal, atiraremos para todos os lados e ver quem nos responde. É como um ping em broadcast, alguém com certeza responderá.

— Ainda não entendi nada.

— Fique tranquila. Enquanto dormia tratei de preparar um presente. Vários pendrives. Ao ser inserido no computador, o malware que está gravado nele tentará se espalhar pela rede através do protocolo de compartilhamento de arquivos SMB. Poderá infectar maquinas Windows e Linux. Por cada uma que passar, deixará alguns arquivos que possuem a função de se conectar em um servidor de comando e controle que deixei configurado na deep web. Se o computador estiver vulnerável, uma porta de comunicação será aberta e terei algumas máquinas sob meu controle. Assim poderemos “passear” pela rede e ver se encontramos algo.

— Mas este malware não será detectado pelos “sistemas de segurança”?

— É aí que está o pulo do gato minha linda. Após analisar o malware, percebei que ele possui recursos de sandboxing para ficar invisível aos sistemas de segurança. Vamos esperar alguém morder a isca. Você vai me ajudar nisso.

— Como?

— Você verá.

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O próximo comboio que acaba de chegar tem como destino a estação da Luz. Ao verem as portas se abrindo, o casal entra acompanhado por uma multidão, mas logo encontram um local próximo a uma das portas para se acomodar. Por conta do aperto causado pela lotação, Léia acaba ficando praticamente colada em Case, de frente para ele. O rapaz acaba ficando um pouco sem jeito, mas mesmo assim sorri para a moça à sua frente.

— Para onde vamos? – Pergunta Léia.

— Vamos até a avenida Paulista.

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Após algumas estações, o casal desembarca na estação de metrô Consolação. Já na rua, em frente a uma banca de revistas, Case para e fala para Léia:

— Tá ligada naquela tática de jogar a isca para ver quem morde?

— Sim, claro.

— Como a avenida Paulista é um local que abriga muitas empresas e várias delas são controladas por algum político envolvido em escândalos, iremos até algumas delas e faremos a entrega do pacote. Com certeza algum desavisado tentará ver o que tem no pendrive. Após terminarmos as entregas, aguardaremos por uma mensagem (ou várias) que será recebida em nosso servidor de comando e controle localizado na deep web.

Case é um cara paranoico quando o assunto é não dar bobeira, não deixar pegadas. Em tempos de vigilância em massa, com o governo invadindo a privacidade dos cidadãos, Case não guarda dinheiro em banco. Ele sabe que qualquer movimentação efetuada no caixa eletrônico ou compras com cartão, são pegadas que poderão ser seguidas pelo governo. Por conta disso, guarda suas economias em um local seguro e sempre carrega uma pequena quantia num dos bolsos ocultos de sua calça.

— Léia, preciso que compre uma roupa mais formal. Pense em uma roupa no estilo executiva, tudo bem?

— Claro Case, mas por que?

— Você fará a entrega do pacote na recepção de cada empresa. Use o seu charme.

— Sem problemas.

Sem chamar atenção das pessoas que passavam apressadamente por eles, Case entrega quatro notas de 100 reais para Léia, e faz sinal para que ela entre em uma loja na frente deles. Trinta minutos passam, mas que pareceram uma eternidade para ele. Fica de queixo caído quando uma pessoa quase irreconhecível aparece de repente diante dele.

Vestindo uma calça preta e blazer na mesma cor para destacar suas curvas, um par de botas com salto 9 cm também preto, uma camiseta cinza e para finalizar, o cabelo amarrado em formato rabo de cabalo, Léia sorri para Case.

— Você está linda! Quero dizer, está perfeita para o papel que vai desempenhar.

Obviamente Case deixou escapar um suspiro quando viu Léia toda produzida. Mas se recompôs o mais rápido que pôde.

— Então, vamos ao trabalho? — Fala Léia.

— É pra já! Organizei uma lista das empresas que receberão o pacote. São cerca de 10 empresas. Poderemos fazer todas pela manhã. Como te falei, após entregarmos os pacotes, ficaremos monitorando o servidor de comando e controle para quando as mensagens do malware chegarem. Podemos fazer isso em algum shopping ou bar, o que acha?

— Pode ser no shopping Cidade São Paulo? Ficaremos na praça de alimentação ou em outro local que tenha bastante movimentação, assim não chamaremos atenção

— Com certeza Léia!

O casal dirige-se para a rua Haddock Lobo, que desemboca na Paulista. Case senta sob uma mureta, tira da mochila um envelope endereçado a alguém de uma determinada empresa e o entrega para Léia. Case fica olhando para a moça que caminha levemente até a recepção de um prédio ali perto.

Chegando no primeiro alvo | Malware e hacking é na edição #09 do ‘Diário de um Hacker’

Léia para em frente a porta giratória, respira fundo e encarna uma moça de negócios que precisa fechar um contrato com o Sr Madureira, CEO da empresa Madura S/A*. Ao adentrar na recepção, os olhares masculinos ali presentes focam a bela moça que está chegando próximo ao balcão da recepção.

Quando Léia ia se apresentar, o rapaz, fala antecipadamente:

— O que esta bela moça deseja?

Com os cotovelos apoiados no balcão e deixando o rapaz um pouco sem jeito com o visual que proporcionou propositalmente, Léia fala em tom firme:

— Preciso que este envelope seja entregue à assistente do Sr. Madureira, presidente da empresa Madura S/A.

— Faço questão de eu mesmo entregar o envelope, senhorita.

— Muito obrigada! Você é muito prestativo.

Léia dá uma piscadinha para o rapaz e sai de fininho, mas com o mesmo glamour quando entrou. No lado de fora, Case observa Léia vindo ao seu encontro.

— Consegui Case! Foi fácil!

— Sabia que ia se dar bem.

Nas próximas investidas de Léia e Case, tudo ocorre normalmente como planejado. Léia utilizando o seu charme, se aproxima da recepção de cada prédio, pedindo que o envelope seja entregue para determinada pessoa. Em algumas vezes, o atendente não pediu qualquer identificação e ainda levou Léia até a pessoa desejada.

Após entregar o último envelope, Léia já um pouco cansada fala para Case:

— Ufa! Preciso tomar um café. Só esta bebida pode me dar paz.

— Vamos até o shopping que você queria ir e aguardarmos pela chegada da primeira mensagem do servidor da Deep Web.

A mensagem

Esperando pela mensagem | Malware e hacking é na edição #09 do ‘Diário de um Hacker’

Case nunca havia ido ao Shopping Cidade São Paulo. Durante o almoço o recinto se enchia de pessoas que iam para saciar a sua fome, seja em um bar ou na praça de alimentação. Léia vai procurar um local para os dois ficarem mais tranquilos, enquanto Case vai na fila do Mc Donalds comprar o “almoço”. Após comprar dois Big Tasty, acompanhados de dois Guaranás zero, Case avista Léia sentada em uma mesa ali perto.

— Que demora hein Case! Foi matar o boi?

— Viu o tamanho da fila? Kkkkkk

Após sentar-se ao lado da moça, Case ajeita o almoço dos dois e dá aquela abocanhada no sanduba. Fazia tempo que não comia um lanche do Mc. Na primeira mordida fecha os olhos e se delicia quando a comida é engolida. O mesmo faz Léia.

— Hummmmm.. que delicia — Os dois falam.

— Vou ligar o note Léia, estou ansioso.

Kali Linux rules! | Malware e hacking é na edição #09 do ‘Diário de um Hacker’

Case tira o netbook da mochila e o coloca sobre a mesa, mesmo ainda sem ter terminado o almoço. Ergue a tela e liga o equipamento. Durante o processo de boot uma conhecida tela aparece:

Ah essa tela. Pensa Case.

Os dois terminam de almoçar. Como são viciados em café, Case dirige-se a uma cafeteria e volta com dois copos de papel contendo o sagrado liquido.

— Obrigado Case!

Passam cerca de duas horas e algo acontece. No terminal do Kali Linux, em uma ferramenta escrita em Python para gerenciar o servidor de comando e controle, aparece uma informação. Uma conexão originada do malware (que estava no pendrive entregue) é registrada. De posse do endereço IP, Case verifica que se trata de um endereço público válido, não o que faz parte de IPs reservados.

Como bom curioso que é, Case verifica quais portas estão abertas neste IP:

Aparecem algumas abertas. Em seguida tenta um shell reverso via Metasploit… e o que acontece?

Um prompt remoto aparece para ele, assim de bandeja, com o símbolo #….. Sabe o que isso significa? As empresas insistem em conectar na Internet servidores super vulneráveis, desatualizados, só esperando para que Hackers consigam o pior. Até parece que é de propósito (Pode até ser, mas é papo pra outra ocasião).

Case olha para Léia e dá uma piscadinha.

— É… parece que temos nossa primeira vítima do pacote que entregamos.

Vou encontrar o responsável pelo assassinato de Cereal. Custe o que custar. Estou cansado disso tudo, dos poderosos ficarem por cima, de fazem de tudo para não perderem o poder. O castigo pode tardar a chegar, mas virá. Disso tenho certeza. Um por um vou encontrá-los. Vou divulgar todas as informações, farei negócios quebrarem, ações caírem. Dentes corporativos rangerão. Eles não vão mais conseguir dormir. Isso pode ser uma utopia, mas tenho certeza de que conseguirei. Não estou sozinho nessa.

Você está comigo.

Case.

Continua…

* É uma variação do nome do CEO. Não sei se existe na Paulista uma empresa com este nome. Qualquer semelhança é mera coincidência.

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