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Em um dia nublado num conhecido local do Brasil, nuvens escuras povoam o céu, anunciando que uma tempestade vem por aí. Uma multidão enfurecida composta por centenas, milhares de pessoas, despejam os mais diversos palavrões contra alguém que está situado em uma plataforma elevada, numa espécie de púlpito. A face desta pessoa está “borrada”, não sendo possível saber de quem se trata.

Cortando caminho entre a multidão, homens trajados no melhor estilo batalhão da SWAT seguem decididos em direção ao ponto central, onde está localizada a misteriosa pessoa. “O que eles querem?” Pensa. Ao constatar que esses homens possivelmente o queriam prender a qualquer custo (ou coisa pior), resolve deixar rapidamente o palco e desce pela parte de trás. No fim da escada, um dos homens – já sem o capacete e capuz – o espera sorridente apontando a arma para ele.

É o seu fim…” Diz o policial.

De repente um tiro vindo de origem desconhecida, atinge em cheio o rosto do policial, que cai no chão, já sem vida.

Assustado, a misteriosa pessoa coloca as duas sobre a face. Ao tirá-las, a sua verdadeira identidade é revelada.”

É Case.

Suando e assustado, Case acorda no sofá do Club.

“Que pesadelo louco!” Pensa.

# Paranóia

No final da edição #06 vimos que Case e seus amigos foram perseguidos por capangas de um poderoso político de Brasília, culminando na morte “acidental” de um deles. A localização do club onde os Hackers de reúnem quase foi descoberta, o que poderia arruinar a operação.

No sofá Case pensa no sonho que teve, e se as imagens teriam algum traço de realidade. Bom, a manhã estava com um céu nublado, e provavelmente uma chuva daquelas estava a caminho.

Ele ainda não havia se recuperado da adrenalina do dia anterior, nem Marcus e Cereal também.

“O que eles queriam de nós?”

Cereal chega no hall onde estão Case e Marcus (que já está acordado), trazendo um café improvisado, contendo capuccino, pão, e outras coisas mais.

– Amigos, vamos sair um pouco do radar, não podemos dar mole para os caras e dar tudo a perder. – Diz Cereal.

– O que faremos? – Pergunta Marcus.

– Simples, temos o que precisamos aqui no club, Internet, comida, mulheres (rsrs), etc. Tenho um conhecido amigo que faz parte da cena hacker. Ele nos ajudará muito.

– Ele é confiável? – Pergunta Case.

– Fique tranquilo irmão, ele é da “família”.

# Uma semana depois

hacking

Fonte da imagem: http://www.wallpaperup.com

É noite em São Paulo.

Em uma determinada parte da cidade, num quarto escuro de hotel de 5ª categoria (não 5 estrelas…), a única iluminação que se vê é a de um aparelho de TV datado dos anos 80, onde um famoso apresentador de um telejornal do horário nobre (plin plin!) informa sobre os recentes acontecimentos envolvendo atividades de hacking.

D0ctor, como é conhecido na cena Hacker, assiste incrédulo a uma notícia relacionada às “ataques hackers” que vêm ocorrendo contra o governo. O apresentador salienta que “… terroristas estão atacando o governo, deixando sistemas críticos fora do ar…”

Ora, que eu saiba, os hackers não estão fazendo nada do que esse energúmeno está dizendo. É o governo que está deixando sistemas fora do ar, a fim de tirar a atenção do que realmente está sendo feito: o desvio de dinheiro (sério ?? hehe)”, pensa D0ctor.

D0ctor mora com a mãe na zona norte de São Paulo. Seu pai faleceu quando tinha 13 anos de idade, então não teve aquele convívio de pai e filho que todos estamos acostumados a ver. É um cara ligado em tecnologia, redes e hacking, e precisa de uma válvula de escape, ou seja, seus dedos precisam estar sempre em contato com um teclado…

A mãe de D0ctor tem uma certa paranóia pelo fato do filho ficar direto na frente do computador até altas horas da madrugada. Há alguns anos, quando ainda era “di menor”, D0ctor levou uma advertência das autoridades por ter feito a façanha de sacar todo o dinheiro existente em um caixa eletrônico. Com a ajuda de outro colega que tinha o controle de um caixa eletrônico (você sabe que a maioria desses equipamentos rodam uma versão antiga do Windows não sabe?), executaram um ataque que hoje é conhecido como Reverse ATM Attack ou Ataque Reverso de Caixa Eletrônico, que consiste em enganar o sistema bancário, esgotando assim todo o dinheiro existente em um caixa eletrônico.

D0ctor aluga um quatro de hotel quando precisa relaxar e fazer alguns “acessos”. Para ele já passou aquele tempo de ficar com uma lata de batatinha Pringles plugada via pigtail em seu notebook juntamente com uma distro de pentest para caçar redes sem fio vulneráveis e o Tcpdump, simplesmente para ver o que está trafegando por ali. Isso é somente a ponta do iceberg do que realmente pode ser feito. Prefere uma abordagem mais profissa.

Dias atrás, Cereal entrou em contato com ele para lhe pedir um apoio. D0ctor sabe que a equipe ficará fora do radar e precisam de sua ajuda para que tente descobrir algo que o governo esteja tramando. Uma das coisas em que D0ctor se sai muito bem é quando pratica engenharia social, seja ela a distância ou pessoalmente, além é claro, de ser um ligadão em hacking e segurança da informação.

Por onde começar?

D0ctor após ver as notícias do tão manjado jornal do horário nobre, olha pensativo para o teto de aspecto descascado e sem vida. Conforme Cereal havia lhe contado (através de algumas fontes), existe um certo político de Brasília que está envolvido na operação lavajato (Ver DH#06). Após ouvir de Cereal o que havia acontecido na perseguição de semanas atrás, D0ctor tem claro em sua mente que o que aconteceu tem ligação com este político. Juntando isso às recentes notícias que irromperam como pragas nos principais telejornais do país, temos aí uma situação manipulada por quem quer que as coisas ocorram por de baixo dos panos e que está disposto(a) a fazer o possível e o impossível para que continue assim.

Você caro leitor deve saber que o político que estou falando trata-se de Zezinho. Além da recém-inaugurada usina de Belo Monte, temos o desastre ocorrido com o rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samara (vamos usar nomes fictícios né?) em Maria, MG. Mineradora esta, que entre seus donos, figura a Valley, da qual Zezinho faz parte.

Pode parecer clichê, mas na maioria das vezes, grande das informações que queremos obter, podem ser encontradas na Internet. São servidores de banco de dados mal configurados que permitem o acesso simplesmente com um SQL Injection, ou ainda, documentos hospedados em servidores web que podem facilmente ser indexados pelos motores de busca, dentre outras maneiras.

Pensando nisso e no que irá fazer, D0ctor pega em sua mochila um notebook branco cheio de stickers relacionadas a programação, hacking, Anonymous e Linux, e o coloca sobre uma pequena mesa. Ao abrí-lo, ocorre a boot do sistema, onde em seguida uma logo da distribuição GNU/Linux Fedora 23 aparece em sua tela, esperando pela digitação das credenciais de acesso.

D0ctor gosta de fazer boa parte de suas atividades utilizando o terminal do Linux, e é para lá que ele vaí.

d0ctor@security ~ $ _

# Enquanto isso

Case é uma pessoa paranóica quando o assunto é hacking ou segurança da informação. Chega a ser insuportável para as outras pessoas, pois gosta que tudo seja feito da forma correta, coisa que os outros não fazem, pois acham que certas coisas nunca acontecerão a si próprios. É a situação quando uma pessoa acha que nunca será assaltada por um ladrão. Você deve conhecer alguém assim não?

Case gosta de “viajar”, para isso consome regularmente drogas alucinógenas que o possibilitam “sair da Matrix”. Além disso,com a ajuda de alguns amigos, faz modificações internas em seu organismo, algo conhecido como Biohacking, ou seja, a arte de hackear o corpo humano. Nesse campo, Case utiliza compostos chamados de Nootrópicos, que têm a função de aumentar o fluxo de sangue em direção ao cérebro, possibilitando também a estimulação do sistema nervoso central. Essa tática permite que Case melhoresua concentração e aumente a velocidade de pensamento.

Case tem passado essa última semana dormindo (quando não está “viajando”), vasculhando por informações relevantes na web, vendo TV, conversando com o pessoal do club, viajando, vasculhando por informações…ou seja, ficou em loop por uma semana. Case resolve então quebrar este ciclo.

– Cereal, não estou aguentando ficar “trancafiado” aqui. Preciso sair, respirar outros ares. – Fala Case.

– Pode sair Case, mas tome cuidado. Não fique “dando bandeira” por aí.

Case se dirige à porta da frente, respira fundo e a abre. Uma garoa fina o espera juntamente com a noite de São Paulo. A entrada irreconhecível do club fica em uma rua movimentada de um local nobre da cidade, com pessoas andando de um lado para outro esbarrando umas nas outras. Case se junta a multidão, sendo praticamente impossível que alguém possa reconhecê-lo.

Com a touca de sua blusa abaixada e olhando para o chão, Case para em frente a vitrine de uma loja de eletrônicos e presta atenção na chamada de última hora em uma TV de 50”, sinalizando que um fato importante está para ser noticiado. O apresentado de cabelo grisalho, relata que um dos sócios da Valley está sendo investigado por corrupção e uso indevido do dinheiro público (sério??? contra outra…). Case balança a cabeça negativamente e segue seu caminho.

Numa padaria ali perto, Case se dirige aos fundos e senta em uma mesa discreta.

Case retira seu notebook da mochila, conecta-o em uma tomada ali perto (pois a sua bateria está quase no fim) e pressiona botão de Power para ligar o equipamento.

Após logar em seu Linux (Linux Mint), Case abre o Telegram (App de bate papo disponível para smartphones e PC/Mac) a fim de falar em um canal seguro com D0ctor.

# Léia

Léia é uma jovem moça misteriosa. Aspecto jovial, mas rebelde ao mesmo tempo, morena escura, olhos verdes, 1,70 de altura, pesando aproximadamente 67kg. Acorda diariamente as 6 da manhã, toma um belo banho demorado, veste seu usual uniforme preto e sapato da mesma cor, com salto nº 7, e arruma seus cabelos lisos num estilo moderno, ficando com uma beleza descomunal, mesmo indo trabalhar todo o dia como garçonete em uma conhecida lanchonete num certo local de São Paulo.

Seu expediente está quase chegando ao fim, e Léia nota que um cliente sentado no fundo da lanchonete ainda não fez seu pedido.

Léia possui “habilidades” dificilmente encontradas nas demais mulheres.

# O Encontro

– Deseja algo meu querido?

Case então olha para cima e fica sem palavras por alguns segundos.

– Er.. eu queria…

– Algum problema moço?

– Me desculpe…

– Imagina moço, estou acostumada com isso.

– Nunca te vi por aqui, é nova na região?

– Sou do Paraná. Vim tentar a vida como modelo em São Paulo, mas não deu muito certo a minha idéia. Senti uma certa “resistência” com as agências daqui.

– Qual se chama?

– Léia.

– Antes que pergunte, me chamo Case.

– Léia, como todo o respeito, você é uma moça muito linda, de uma beleza incomum, coisa rara de ser hoje em dia..

– Obrigada…

– Como não consegui nada na área, encontrei este trabalho como garçonete, não é muita coisa, mas me ajuda a pagar as contas.

– Que bom Léia…

Os dois ficam então um certo tempo ali conversando. Léia em pé segurando um smartphone para anotar o pedido e Case olhando para a linda moçada na sua frente.

O patrão de Léia faz cara feia para ela, que então desperta daquele momento gostoso que passou conversando o estranho cara.

“Parece ser gente boa”, pensa.

– Então Sr. Case, o que deseja?

– Gostaria de um capuccino médio e um pão na chapa com ovo e requeijão por favor…

– Aguarde uns 10 minutinhos no máximo tá?

Léia dá uma piscadinha para Case e se dirige a outro cliente para atendê-lo.

Ele observa a delicadeza de Léia quando atende outros clientes, ficando ali sem reação e se esquecendo do que ia fazer.

Na barra de tarefas inferior de sua tela, um ícone piscante junto com um bip do Telegram indica que alguém enviou uma mensagem para ele. Case desperta de seus devaneios e presta atenção.

É D0ctor.

– E aí D0ctor, beleza?

– Case, tenho algumas coisas importantes para te passar…

Continua…

# Informações adicionais

Caro(a) leitor(a), primeiramente gostaria de pedir mil desculpas por demorar tanto em lançar a edição #07 do Diário de um Hacker. As próximas edições serão lançadas em menos tempo, e não a cada 2, 3 meses rsrs.

Nesta edição não foquei na questão tecnológica e sim nas pessoas. Inseri alguns personagens na saga, e a idéia é deixar a coisa mais séria. Com certeza vocês gostarão.

Estou com uma idéia de lançar um livro agora em 2016, ou pelo menos enviar os originais para a editora. Quando isso acontecer, darei um outro nome para o livro.

“Guerra no Sistema”

Creio que é um nome que tem tudo a ver com a mensagem que quero passar a você. Guerras virtuais acontecendo dentro de um sistema, numa infraestrutura de tecnologia ou em um “sistema” no qual nosso país funciona.

Aguarde por novidades. e não deixe de deixar sua mensagem nos comentários abaixo.

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